Somália: VIDAS NEGRAS IMPORTAM

Sobre a Somália

Desde 1991, quando a guerra civil teve início, a Somália vive uma história marcada por conflitos e crises humanitárias, seguida em tempos recentes por atentados cometidos pelo grupo terrorista Al Shabab e ataques piratas cujo custo para a economia global foi estimado na casa de 18 bilhões de dólares por ano. Um dos poucos territórios africanos homogêneos em termos étnicos, religiosos e linguísticos, o país elegeu em março um novo presidente, mas ainda enfrenta dificuldades como poucas nações no mundo.

O estado moderno da Somália foi criado em 1960, com a unificação de antigos territórios coloniais controlados pela Itália e pelo Reino Unido. O país tem cerca de 11 milhões de habitantes, sendo 85% pertencentes à etnia somali, também falantes do idioma somali.

O Islã é a religião oficial, conforme estipulado na Constituição de 2012, e seus seguidores são majoritariamente da corrente sunita – um dos principais legados deixado pelos árabes que chegaram à região no século VII.

Em 1969, menos de dez anos depois da eleição do primeiro presidente do país, o então chefe de Governo, Abdirashid Ali Shermaker, foi assassinado em um golpe de estado comandado por forças policiais. Mohamed Siad Barre assumiu o poder, nacionalizou todos os setores da economia e declarou a Somália um estado socialista.

A relação com a União Soviética foi cortada no fim dos anos 1970, em decorrência da guerra entre o regime somali e a Etiópia, que contava com apoio soviético e cubano. O acordo de paz entre os países foi assinado apenas em 1988. Deposto do cargo em 1991, depois de 22 anos no poder, Barre deixou como legado uma guerra civil que assola a Somália até os dias de hoje.

O  governo de Barre transformou a capital Mogadício em uma praça de guerra. O embate entre clãs rivais em diversas regiões contribuiu para o clima geral de anarquia, morte e destruição em todo o país e teve como uma das principais consequências a fome. Aproximadamente, morreram entre 300 e 500 mil pessoas por esse motivo. Atualmente, 800 mil pessoas estão à beira da desnutrição, de acordo com dados da ONU. A organização, que estabeleceu uma missão de paz na Somália entre 1992 a 2001 para minimizar a crise humanitária, encerrou o trabalho por falta de condições mínimas de segurança.

Em 2006, a milícia União das Cortes Islâmicas assumiu o poder em Mogadíscio. Parte de suas fileiras viriam a se firmar com o grupo terrorista Al Shabab, que em 2010 declarou aliança à Al Qaeda e esteve no controle de grande parte do sul do país e da capital, de onde foi parcialmente expulso em agosto de 2011. Por conta disso, os terroristas foram acusados de uma série de atentados, inclusive o último ataque, o maior da sangrenta história somali.

PIB da Somália

De acordo com informações divulgadas pelo Banco Mundial, o Produto Interno Bruto (PIB) da Somália é estimado em 6,2 bilhões de dólares, com o PIB per capita na casa de 450 dólares. Os dados, referentes a 2016, marcam um crescimento de 5% em relação ao ano anterior. Contudo, 90% dos gastos públicos do país são destinados ao setor administrativo e,  ao de segurança.

Uma das maiores fontes de receita somali são as remessas de dinheiro enviadas por conterrâneos que deixaram ao país, estimadas em 1,3 bilhões de dólares por ano. Os setores da agricultura e pecuária correspondem a 40% do PIB nacional e são vitais para a sobrevivência de uma grande parcela da população, dependente da criação e plantio de subsistência.

 O ataque

No dia 14 de outubro a capital da Somália sofreu um ataque, onde um caminhão com mais de 300 kg de explosivos foi detonado num posto de controle numa área movimentada da cidade. O país vive em uma guerra civil que perdura há 20 anos, desde a queda do ditador Mohammed Siad Barre, em 1991, e está em situação de caos político com o conflito entre o grupo terrorista Al Shabaad e o governo transitório.

Um dos ataques ocorreu em frente ao hotel Safari, que fica próximo do ministério do governo somali, em uma região movimentada da capital. Horas depois, uma segunda explosão ocorreu no bairro de Medina. “Eles apontaram para a área mais populosa de Mogadíscio, matando somente civis”, afirmou o primeiro ministro somali, Hassan Ali Khaire.

Até o momento, são 358 mortos e 56 desaparecido. O atentado é considerado o maior na história da Somália.

 

Situação da Somália

Como se não bastasse o ataque, tantas mortes e sofrimento, o país sofre com uma forte seca, que atinge de forma direta 3 milhões de pessoas. A escassez de água fez com que o preço do produto aumentasse, obrigando que os cidadãos satisfaçam suas necessidades através de fontes contaminadas, aumentando ainda mais, o risco de contrair doenças, dentre elas cólera e diarreia.

Em resposta, o presidente da Somália, Mohamed Abdullahi Mohamed, decretou três dias de luto no país. “Eles apontaram para a área mais populosa de Mogadíscio, matando somente civis”, afirmou o primeiro ministro somali, Hassan Ali Khaire.

Os somalis reagiram ao ataque em manifestações e com mutirões de doação de sangue para auxiliar as vítimas. É grande o número de corpos que ainda não foram identificados no país, o que fez com que a população se unisse também para pedir mais rapidez na identificação dos corpos de seus parentes desaparecidos. A dor da perda se faz muito presente, mas os somalis estão tendo que tirar força de onde nem imaginam ter para agir e promover ajuda uns aos outros.

A falta de comoção mundial

Mais de 300 pessoas mortas, outras desaparecidas. Seres humanos sofrendo com a perda, com a fome, com a sede, a mercê do desespero e muito sangue. Mas quem se importa? Onde está a hastag “Somos todos Somália”? É de extrema estranheza não se notar uma grande mobilização, comoção das pessoas mediante a um acontecimento tão catastrófico.
Mortes na Europa impactam, assustam, comovem, mas as mortes no continente africano não. Essas conseguiram ser noticiadas e as que nem na mídia chegam? E quem se importa não é mesmo? São vidas negras, por isso não comove! A sociedade acha normal negros morrerem. O genocídio do povo negro é algo super aceitável pela mesma. O racismo se mostra por diversas faces e essa normalidade frente às mortes na Somália, só comprovam isso.
Nas periferias e favelas morrem negros todos os dias. Em minutos que respiro, vários negros morrem, enquanto isso a população negra vai orando e rezando para se manter viva, pedindo a Deus para não ser parada pela polícia, para que uma bala não ache o meu corpo e que o seu corpo não se junte a tantos outros, que muitas vezes nem o direito de ser enterrado tem.
Vidas negras importam! Vamos continuar lutando!
#somostodossomalia #vidasnegrasimportam #nossospassosvemdelonge

 

Por Amanda Martins

Graduanda em Direito na Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, escritora, palestrante, Pesquisadora , Editora e membro da Organização Carioquice Negra

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