Como o racismo é visto por alguns não-negros

 Ele virou a vítima? Vítima do quê? E será que o que ela fez foi tão grave assim? ”

Na noite desta quarta-feira (19), o programa da Globo Profissão repórter, teve como temática o racismo em sua pauta. Foram selecionados alguns crimes raciais para diluir o programa. A reportagem expôs um pouco sobre todos os crimes raciais que acontecem no dia a dia do negro, e como realmente esse crime é visto e julgado por alguns não-negros.

Infelizmente, afirmarmos que o crime de racismo é algo comum no nosso dia a dia.  Não desmerecendo nenhum dos casos que foram abordados no programa, mas vamos desenvolver aqui dois casos que nos chamaram muito a atenção no programa, vejam:

Racismo explícito…“Preto, pobre e filho da puta”

Vamos falar sobre o Luiz Henrique, um negro que sofreu injúria racial dentro do supermercado em São Paulo. Uma professora o chamou de “preto, pobre e filho da puta”. Durante o programa, a reportagem foi em busca da “suspeita” para colher mais informações sobre o ocorrido. A repórter conseguiu contato com o advogado da suspeita, e daí, o advogado com alguns documentos, tentou provar que a sua cliente possui “distúrbios mentais”.

Mas vamos continuar aqui, a reportagem ficar mais interessante. A repórter consegue conversar com a irmã da suspeita. A irmã pedi para não ser identificada, e a repórter pergunta se a sua irmã (a professora) é ou não uma pessoa racista.  E é surpreendente a resposta da irmã da professora: “ De maneira nenhuma, ela é professora, ela dá aula para todas as raças. Não existe isso, uma professora ser racista? E eu quero ocupar esse espaço aqui para defende-la, porque ela está sendo massacrada, e a mais prejudicada foi ela. O que ele perdeu? Ele não perdeu nada! Ele virou a vítima? Vítima do quê? E será que o que ela fez foi tão grave assim? ”.

 

Nós também perguntamos: é possível uma professora ser racista? Sabemos a triste resposta

A suspeita não falou, mas nas palavras da irmã podemos notar que o racismo é bem normal nessa família. Não, não vamos tratar como doença, vamos tratar como deve ser tratado, como crime.

Jogador Aranha retorna a Arena do Grêmio

 

Como todos lembram, o goleiro Aranha sofreu ataques racistas por torcedores do Grêmio em 2014. Como não lembrar daquelas imagens da torcedora gremista gritando “macaco”?! Na época, o Grêmio pagou uma multa, foi excluído do campeonato no caso e alguns torcedores sofreram uma punição bem suave em comparação com as causas que isso trás para a vida do oprimido.

2016, o jogador Aranha retornou pela primeira vez após o crime de racismo na Arena do Grêmio. O programa faz uma breve conversa com alguns torcedores, e vamos ressaltar aqui a fala de um desses torcedores. O repórter pergunta a um torcedor o que ele acha que as pessoas vão falar com o retorno do jogador diante da torcida, e o torcedor responde: “ vai ser criticando ele pela forma que ele se portou na época, fica a poder de cada um, se ele achou denunciar, então, fica a critério dele.”

Em meio aos discursos acima, surgiu uma ponta de esperança, um pedido de desculpas em um pequeno cartaz de um pai com seu filho. Mas durante o todo o jogo entre Grêmio e Ponte Preta, o jogador Aranha é vaiado. O que vamos dizer sobre essas vaias, né? Aos que sabem ler… assim ninguém é punido. Mas quase sempre ninguém é punido mesmo.  E somos nós quem carregamos as cicatrizes que o racismo deixa em nossas peles. E a cada dia renomeiam o crime de racismo, atualmente ele está sendo chamado de “mimimi”. Fazem de tudo para inocentar o opressor e culpar o oprimido.

Racismo? Talvez agora acreditem, afinal, passou na Globo.

 

Por Julio de Sá

Editor  de conteúdo da Organização Carioquice Negra, fotógrafo, Produtor e graduando em Marketing

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