Crespa, lisa ou cacheada, negra ela sempre será

              Atualmente, estão ocorrendo muitas discussões sobre empoderamento, e uma delas é o cabelo da mulher negra.

                Para muitos, a mulher negra que assume o cabelo crespo é uma negra de “verdade”, empoderada, que sabe quem ela é e que não trai as suas origens, em contrapartida, julgam mulheres negras que preferem alisar ou cachear, tendo a ousadia de denominá-las não negras ou menos negras, o que é muito grave.

O empoderamento é um processo mais interno do que externo, importante,demorado,que abrange muita coisa e que não pode ser resumido ao cabelo,a desconstrução não é algo fácil.

Uma negra que alisa ou cacheia , permanece  negra, não podendo  ser diminuída, rechaçada ou excluída por ter essa preferência, pois,ela tem os seus motivos e merece respeito.

Aqueles que julgam, podem fazer algo muito produtivo e agregador compartilhando conhecimento, disponibilizando o que sabe, o que aprendeu, contextualizando sua fala, dando exemplos, falando como adquiriu consciência racial, e o que vem a ser isso, bem como,explicar o que vem a ser o empoderamento, a representatividade, falar sobre o cabelo crespo,o racismo e ditadura do cabelo perfeito.

Não se pode obrigar as pessoas a terem a mesma visão que a nossa, pois, cada um recebe informação, educação de acordo com o meio em que está inserido.

Se nos depararmos com visões , experiências, diversas das nossas, em primeiro lugar,deve-se respeitar e havendo abertura para dialogar, expor os motivos pelos quais pensamos diferente e no que isso repercute.

É primordial aprendermos a nos colocarmos sem agredir e violar o espaço ou direito do outro. A imposição  não é um caminho para a construção de convivências sadias,além de ser muito prejudicial para o ativismo negro. Precisamos de união e não de mais segregação.

Muitas mulheres negras ainda não compreendem o que vem a ser o tão falado empoderamento e como alcançá-lo, acreditando que o seu cabelo é duro, é ruim, por ter ouvido isso uma vida inteira e que ainda não descobriu o quão maravilhoso ele é.

Mulheres que ainda não sabem do poder que tem e que não precisam seguir os padrões de beleza impostos.

O povo negro já tem muitas feridas causadas ao longo da história, que ainda não cicatrizaram e que dificultam nossa vivência por existirem.Abrir outras não será a solução!

 

Por Amanda Martins

Graduanda em Direito,pela Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, Pesquisadora em Energia no Núcleo de Pesquisas Brasil-Chile , Editora e membro da Organização Carioquice Negra, escritora, cantora e compositora

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