Tuany Nascimento transforma vidas através do projeto O Ballet na ponta dos pés

 

Tuany Nascimento é uma jovem que promove mudanças, objetivando a liberdade e o respeito. Aos 23 anos, tinha grandes chances de ser mais uma em várias estatísticas, mas encontrou na dança um motivo pra lutar e dizer com o corpo tudo aquilo que a boca não pode falar. Dedicando o seu tempo e o pouco que lhe foi plantado um dia , para  outras meninas.

Os passos de Tuany

É bailarina, ex-atleta de ginástica rítmica, e atualmente, está se formando em educação física licenciatura, mas pretende dar continuidade e fazer bacharelado e uma pós em atletas de auto-rendimento e inclusão.

No momento, ela  trabalha como professora de Zumba e treinamento funcional e é com esta grana que dá continuidade ao projeto e toca a  vida. Vive  com sua mãe, o padrasto e mais 5 irmãos , sendo ela a mais velha. Cresceu e vive até hoje no Morro do Adeus, uma das comunidades do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Dificuldades x superação

“Eu sou uma típica menina negra, pobre e favela, e tudo para mim foi bastante difícil, desde saber como me portar diante dos outros, por medo e vergonha, até seguir com meu sonho de ser bailarina. Por ser negra, já ouvi que não tinha o perfil para algumas escolas de dança, por ser pobre, muitas vezes, não tinha dinheiro para roupas e inscrição de eventos e competições, por ser favelada, já senti na pele o olha de estranheza quando digo de onde sou.

E eu só fui capaz de superar tudo isso, quando eu passei a me ver diferente, me ver como parte desta sociedade e não a margem dela, e provar que eu era capaz sem medo de dizer quem eu sou e de onde vim.

Com o tempo a dança foi me moldando até eu chegar nesse ponto. Isso porque a arte é capaz de transformar e formar as pessoas e foi isso que aconteceu comigo. E passei a ousar querer mais, ir além do que os muros da favela me limitavam. Hoje eu sou uma favelada que vive na favela e já teve a oportunidade de levar a minha realidade e a minha dança para fora do Brasil, Em 2011 fui para a Suíça representando o Brasil em um dos maiores e ventos de ginástica do mundo o Gym Na Estrada. Passei no Enem e hoje sou a primeira da minha família cursando o ensino superior. Este ano fui convidada para falar sobre minha trajetória na Argentina, para um público de mais de 1500 pessoas no evento chamado Human Camp.

“Porém, essas coisas para mim são apenas conquistas, que não aconteceriam sem muita coragem.” Diz Tuany Nascimento.

O racismo e suas faces

Segundo a bailarina, não vê tanto racismo no meio em que vive, mas na dança sim! Já ouviu que pelo o cabelo e o tom de pele que tem deveria ser passista de escola de samba ou dançarina de hip hop. Que não tem o perfil que a escola de ballet busca ou a seguinte frase: “Você vive lá no Alemão? Como cara? Como você vive lá?”

Tuany diz que, lida com muita tranqüilidade por saber quem ela é. Portanto, tais atitudes já não a incomodam mais por ela ter voz e se impor.

Tuany Nascimento e O Ballet na ponta dos pés

O projeto tem como objetivo forma e transformar crianças e jovens através da dança, mas trabalhando não só a consciência corporal delas, indo mais além, trabalhando a parte cognitiva e afetiva. Desta forma, há um preparo delas como pessoas e para a vida.

O projeto nasceu em outubro de 2012. Teve inicio por conta da dificuldade de Tuany Nascimento se manter dançando. Então, ela decidiu parar de dançar e começar a trabalhar, para ajudar em casa, mas no seu tempo livre ia para a quadra e treinava com as  irmãs para não perder o habito de dançar, a flexibilidade etc. Aos poucos as meninas iam aparecendo e querendo aprender aquilo, e isso foi contagiante. Ela só teve consciência de que tinha um projeto social quando  perguntaram o nome do projeto social e ela disse que não tinha. Assim, foi entender a grandiosidade do que  eu estava fazendo.

“Eu não acordei com a ideia de ter um projeto social ele simplesmente surgiu de forma natural para mim e as meninas. Comecei com sete meninas e logo depois tinha 40, e hoje já passou pelo projeto mais de 150 crianças.” Afirma a bailarina.

Tuany Nascimento afirma que a representatividade ainda é pouca, mas que reconhece que hoje, temos mais do que antes, no entanto, ela quer mais por achar que, ainda não é o suficiente e de forma igualitária.

Juventude negra

“Eu acho que nos jovens negros somos os capazes de invadir esta sociedade em que vivemos e provar nossa capacidade.”

Sabemos bem os desafios e os obstáculos e é a partir deles que temos que seguir. “Devemos falar e se fazer escutar e partilha disso com os demais e fazer esta rede se multiplicar.” Elucida Tuany Nascimento.

Tuany Nascimento deixa sua mensagem ao mundo:

“Tenham consciência de quem são. Se sintam importantes, como a peça de um relógio, pois, nada nele funcionara sem você. Façam isso ser verdade primeiro para si e com o tempo, todos irão ver quem você é. Não se limite e não permita que digam ou determinem seu lugar. “

Saiba mais sobre O Ballet Na Ponta dos Pés clicando aqui.

Fotos: Sebastian Gil Miranda / Frederick Bernas

Por Amanda Martins

Graduanda em Direito na Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, Pesquisadora em Energia no Núcleo de Pesquisas Brasil-Chile, Editora, membro da Organização Carioquice Negra, escritora, cantora e compositora

 

 

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