Thiago Felipe promove sorrisos, enegrece espaços e evidencia a comunidade negra

 

Thiago Felipe Ferreira é cirurgião dentista e especialista em ortodontia. Nascido e criado no bairro de Paciência, zona oeste do Rio de Janeiro, onde atua profissionalmente, também.

 

Cresceu em uma família amorosa, que sempre o acolheu, apoiado e incentivado pelos pais em tudo o que se propôs a fazer. Isso o ajudou  na adolescência, pois era um adolescente seguro, e consciente sobre a temática racial. Seus familiares sempre discutiram sobre o preconceito, a autoestima e falam sobre a importância e o orgulho de serem negros. Desde muito cedo, Thiago Felipe aprendeu que ninguém poderia inferiorizá-lo, principalmente se fosse pela cor da pele. A educação sempre foi prioridade dos pais, então o incentivou a estudar e o conhecimento sempre foi a defesa de Thiago. Consciente da sua negritude e de como isto é recepcionado no país em que vivemos, Thiago acabou criando uma postura defensiva. O que ocorre com a maioria das pessoas negras neste país, seja ela de qualquer faixa etária, classe social e nível de instrução.

Thiago Felipe passou por muitas dificuldades para tornar-se dentista e abrir o seu consultório. Começou pela graduação que foi realizada em uma instituição particular, dotada de mensalidade em um valor elevado, o que dificultava a quitação da mesma, fora isso, havia as despesas com alimentação e material.

Thiago Felipe diz: Quando pensei em cursar odontologia já sabia que seria minoria e que não encontraria muitos negros na minha turma, pois antes de decidir pelo curso estudei enfermagem por um ano e fiz algumas matérias com turmas de odontologia. Mas como disse anteriormente, isso nunca foi uma questão (já fui o único negro em uma turma de mais de 50 alunos). Na época, representatividade não era algo tão discutido como hoje, porém como negro me sentia com uma responsabilidade a mais. Durante a faculdade isso não me incomodava tanto porém, depois de formado isso aumentou consideravelmente. Eu precisava ser o melhor, o mais educado, estar sempre bem vestido, aquela sensação de “não posso dar mole” ficou mais evidente para mim.

Ele foi criado sabendo da existência do racismo, do preconceito e discriminação racial e o quão velados são, no Brasil. Por conta disto, sempre esteve preparado para qualquer situação, com a resposta na ponta da língua. Nunca tolerou “brincadeiras racistas” e isso , de certa forma, fez com que tais ataques não ocorressem de forma explícita ou com freqüência.

O meio que utiliza para driblar as dificuldades é continuar trabalhando, estudando, oferecendo o melhor de si como ser humano e profissional. Lutou e ainda luta para conquistar seus objetivos. Não nasceu em  berço de ouro, mas tem pais maravilhosos e que acreditam muito nele. São eles que o mantém animado, motivado, acreditando, inspirando e representando pessoas, dentro e fora do seu círculo familiar. Inspirando e representando muitos negros de vários lugares.

O racismo velado

Thiago nunca deixou de frequentar lugares por ser negro, apesar de sempre ser minoria nestes ambientes, aprendeu a lidar com isso e a se impor. Durante a adolescência estudou em uma escola considerada de elite (mesmo não fazendo parte da elite e sendo um dos dois ou três negros da turma). Enquanto aluno de inglês era o único negro na turma, mas naquela época e nos dias atuais, é visto como natural (o que é um absurdo), não se pensava no por que, hoje essa discussão, mesmo que lentamente começa a ocupar os espaços diversos.

Em determinada ocasião,  em um supermercado na Barra da Tijuca, a segurança o pediu para embalar sua mochila. No primeiro momento, Thiago diz que, o susto foi tão grande que aceitou, mas logo em seguida voltou e disse que não passaria por aquela situação. Na época tinha 18 anos e não levou o caso à frente. Hoje, não se cala para nenhum tipo de preconceito.

A visão de Thiago Felipe sobre representatividade

 

Hoje a representatividade de nós negros tem aumentado. Usando a TV como exemplo, que eu acredito possuir maior alcance, nós vemos negros não só em papéis secundários, mas também desempenhando, na tela, profissões que infelizmente ainda são dominadas por brancos. Nas ruas vemos negros assumindo os cabelos, usando turbantes, roupas afro etc. Vejo uma crescente nas festas que exaltam a cultura negra e a desconstrução de preconceitos. As redes sociais também tem ajudado na nossa autoafirmação e notoriedade. Muita coisa boa esta acontecendo, nós estamos mudando, nos posicionando, resistindo e tendo mais orgulho da cor. Muito ainda precisa ser feito, mas acredito que estamos no caminho certo.

Orgulhem-se de ser quem são, não permitam que o preconceito os impeça de lutar por tudo aquilo que acreditam. Somos muito mais fortes e maiores do que conceitos deturpados. Diz Thiago Felipe.

Nossos passos vem de longe! Vamos ocupar, enegrecer e abrir novos caminhos para o que estão vindo!

 

Por Amanda Martins

Graduanda em Direito na Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, Pesquisadora em Energia no Núcleo de Pesquisas Brasil-Chile, Editora, membro da Organização Carioquice Negra, escritora, cantora e compositora

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