Luiza Garcia, ginasta paulista que realizará o sonho de estar no Campeonato Pan-americano no México

Luiza será inspiração para ginastas negras

Luiza Garcia é uma ginasta negra, com 15 anos de idade, mora na cidade de Santos, estado de São Paulo, é filha da rainha e grande inspiradora, Janaína Oliveira.

Luiza Garcia relatou à Carioquice Negra, que em 2008, após o falecimento da sua avó, passou a ter medo de lugares fechados, mediante a isso, sua mãe, a levou ao médico e o mesmo diagnosticou o início da síndrome do pânico, e como via de tratamento, recomendou que sua mãe a colocasse para praticar uma atividade física que tivesse muitas crianças, de modo a proporcionar a perda do medo de ficar em locais fechados.

A mãe de Luiza Garcia havia feito ginástica rítmica, quando criança, e levou Luiza até o Clube Rebouças, onde treinava e soube que a técnica era a mesma, então conversou com a mesma para saber se ela poderia treinar sua filha e o retorno foi super positivo.

Luiza Garcia afirma que através da ginástica conseguiu superar a síndrome do pânico e o que era um meio de cura, passou a ser uma enorme paixão.

Ficou no Clube Rebouças por quatro anos e em 2013, fez uma seletiva no Brasil Futebol Clube, que é referência em ginástica na cidade de Santos.

Dentre varias meninas, foi selecionada e iniciou o treinamento direto na equipe de competição, e com muito esforço, por mérito ganhou uma bolsa integral.

Foto: Vini Marins

Evolução de Luiza Garcia 

Luiza continua no Brasil Futebol Clube, com os técnicos Bruna e Thiago, e afirma ter a oportunidade de aprender diariamente, mas sabe que ainda tem muito a desenvolver, e se sente feliz por estar em constante evolução, mesmo não sendo uma tarefa fácil, por sentir muitas dores no corpo e precisar cuidar melindrosamente dele, por ser o seu instrumento de “trabalho” e diz que as competições são momentos de imensa alegria, onde em um minuto e meio deve executar as melhores dificuldade (termo usado na ginástica) e a realizar os melhores movimentos, que dando certo, acertando o risco, a sensação de felicidade é grande, por fazer uma série cravada.

Campeonato Pan-americano no México

Em 2014, além da ginástica rítmica, Luiza Garcia começou a treinar a ginástica estática de grupo, modalidade que mistura ginástica com dança, e é uma modalidade que ela adora e o conjunto tem proporcionado resultados muito expressivos desde o Brasileiro em Valença, na Bahia, em 2016 com o primeiro ligar e em Caldas Novas, em Goiás, na equipe infanto juvenil, onde a equipe foi campeã brasileira, nessa modalidade, novamente.

Esses resultados também garantiram à equipe o 1º Campeonato Pan-americano, organizado pela International Federation of Aesthetu Gymnactics Group (IFAGG), que ocorrerá em Mérida, no México, e o dia 26 de setembro de 2017.

Luiza Garcia menciona que é uma oportunidade única, e envolve várias questões e uma delas, é o por nunca ter saído do Brasil, e poderá conhecer outras ginastas de outros países, fazer networking, ver equipes que são referência nessa modalidade, a qual tem afinidade por praticar desde muito cedo.

A felicidade de Luiza é tanta, que não cabe em palavras, desde que recebeu a convocação da Confederação Internacional e a partir desse momento, todos ao seu redor estão lutando para a realização deste sonho.

Para obter recursos para a viagem, passou as férias de verão junto a mais duas ginastas que também não tem condições de arcar com as despesas da viagem, vendendo gelinho (sacolé) na praia e quando dava corria para o semáforo para vender canetas e copos e quando chegava em casa, ajudava a sua mãe a fazer bolo e doces para vender, e dando continuidade ao treino.

Luiza Garcia diz: “ Não desisto! Caio e levanto! Como diz minha mãe, sou fênix rs”

 

Luiza Garcia driblando o racismo

 Denuncia o racismo e menciona que a luta é diária, e que já teve dias da sua autoestima estar “no pé”, ao ponto de não achar a ginástica tão boa como as outras achavam, pois, olhava e não se enxergava, mas sua mãe, dona Janaina sempre dizia: “ Você foi escolhida, e é tão boa quanto as demais, basta se dedicar e amar o que faz.” E assim, Luiza foi se descobrindo a sua força e agradece sua mãe , que sempre a enaltece, incentiva, elogia sua beleza, seu cabelo Black , empoderando-a, mesmo com as colegas de turma dizendo o contrário e passando por discriminação com os meninos, que só a aceitam como amiga, “crush” não.

Mesmo não sendo a única ginasta negra na equipe, nota que as demais integrantes negras não gostam de abordar o assunto.

Recentemente, passou por uma situação marcante e triste. A equipe foi convidada para desfilar em uma escola de samba, e a mesma abordou o tema “Pré-história”, o carnavalesco pediu que passassem carvão no corpo, para melhorar a caracterização e uma colega da equipe disse que ela nem precisava ter passado. Luiza disse que sentiu pena dessa pessoa, por esse ato tão promíscuo e se sentiu desrespeitada. No entanto, sabe que não será a primeira e nem a última vez a passar por isso.

Luiza Garcia positiva tudo o que faz, se valoriza exalta o tempo todo como é lindo ter a pele negra, esbanja o seu carisma, ama seu cabelo Black e busca sempre fazer o seu melhor e acredita que o seu papel na ginástica vai muito além dos movimentos que executa, e após observar, percebeu que ainda são poucas as ginastas negras.

Menciona Daiane dos Santos na ginástica artística, mas ainda vê escassez na ginástica rítmica e tem o objetivo de representar essa categoria, de modo a inspirar outras meninas negras que estão por vir.

Luiza Garcia tem a sua mãe, Janaina Oliveira, como a sua maior fonte de inspiração e incentivo, por ser uma mulher forte, que nunca desiste e por estar com ela em todos os momentos, além de ser muito grata ao seu pai, que é o seu maior tiete.

Luiza ainda não obtém os recursos necessários para custear suas despesas com a viagem ao México e conta com a colaboração de todos aqueles que puderem ajudar de uma forma e nos deixa uma mensagem:

A Daiane dos Santos também foi uma inspiração quando eu era menina. Era maravilhoso vê-la nas olimpíadas! Mesmo ela não praticando as modalidades que pratico.  Hoje é maravilhoso para as meninas que estão chegando, temos várias mulheres negras fortes e maravilhosas na TV, na internet para nos inspirar  e tem sido demais tudo isso e quem sabe eu vire uma delas na ginástica? Rs…Eu não tenho uma mensagem pronta, eu acho que as mães devem colocar suas filhas para fazer alguma atividade e descobrir o que amam. Temos que estar em todos os lugares, na ginástica, da dança, no teatro, na TV, no mundo !! Por mais atletas como a Daiane, a Serena  e Venus Williams. Termino com a frase do Daisaku Ikeda:”

“Não faz mal que seja pouco,
O que importa é que o avanço de hoje
Seja maior que o de ontem
Que nossos passos de amanhã
Sejam mais largos que os de hoje
Atuem agora e vivam o presente,
Com a certeza de que neste exato instante
Está se erguendo o futuro
Deixem seus méritos gravados
Na história de suas contínuas vitórias!
A dificuldade no momento presente
Será a glória em seu futuro!”

 

Por  Amanda Martins

Graduanda em Direito na Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio,Pesquisadora em Energia no Núcleo de Pesquisas Brasil-Chile, editora, membro da Organização Carioquice Negra, escritora, cantora e compositora

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