Ingrid Silva, a bailarina carioca que resplandece em NY.

Nascida e criada em Benfica, Zona Norte do Rio de Janeiro, Ingrid Silva é filha de empregada doméstica e um funcionário aposentado da Força Aérea. Tinha apenas oito anos de idade quando sua mãe a matriculou nas aulas de balé no Dançando Para Não Dançar, um Projeto que acontece na Vila Olímpica da Mangueira, sem fins lucrativos para crianças carentes do Rio de Janeiro, que oferece acesso à cultura, educação, saúde e profissionalização através do balé clássico.

Aos treze anos, Ingrid Silva começou a focar nas aulas de dança e foi uma das alunas que obtiveram sucesso no Projeto. Ganhou bolsa para Escola de Dança Maria Olenewa, Teatro Municipal do Rio de Janeiro e para o Centro de Movimento Debora Colke. Com dezessete anos, foi para Belo Horizonte estagiar com o Grupo Corpo.

Sua postura sempre foi de determinação e dedicação. O que contribuiu na sua desenvoltura, mas ser uma bailarina profissional nunca esteve nos planos da jovem, pois nunca havia visto uma bailarina negra em destaque no Brasil.

A mudança

Em 2007 surgiu uma oportunidade fantástica, quando a bailarina proeminente do Dance Theatre of Harlem ,chamada Betânia Gomes fez uma visita no Projeto Dançando Para Não Dançar e se impressionou com Ingrid Silva, convidando-a para uma audição no Dance The of Harlem, em Nova Iorque.

Inspirado por um sonho o Theatre of Harlem, foi fundado em 1969 por Arthur Mitchell e Karel Shook, com a proposta de atender principalmente as crianças do bairro Harlem, oferecendo aprendizados sobre e dança e seus aliados. Ao longo, tornou-se uma instituição de dança multicultural com a missão de oportunidades para expressões criativas e excelências artísticas.

Sem fazer a menor ideia do que representava o Theatre of Harlem, Ingrid Silva desembarcou nos Estados Unidos com dezoito anos, sozinha e sem falar uma palavra se quer em inglês, para treinar com primeiro bailarino negro de New York e diretor geral da companhia, Arthur Mitchell.

Resistência e perseverança

Mulher negra e de origem humilde, Ingrid Silva diz:

“PRECONCEITO, nunca vivi nada pessoalmente, exceto o fato de em alguns lugares eu ser a única negra; acredito que isso nunca me impediu ou atrapalhou de ter chegado aonde cheguei, sempre tive professores que souberam do meu talento e super me incentivaram. Quando vim para o Dance Theatre of Harlem vi que na sala todos eram mais parecidos comigo e me identifique mais ainda. Foi uma alegria enorme!”.

Acostumados a ver sapatilhas de bailarinas cor de rosa. Um detalhe chama muito atenção ao ver Ingrid dançando, suas sapatilhas na sua tonalidade. Ela então revela:

“pinto minhas sapatilhas com maquiagem da minha cor, pois se as usasse cor de rosa ficaria muito contrastante”.  O nome disto? Representatividade!

No auge dos seus vinte e oito anos, Ingrid é um caso de sucesso e orgulho para todos nós. Além de se tornar uma grande referência negra para crianças e adolescentes que sonham em se tornaram bailarinxs, tornou-se para si própria à referência que não teve na juventude!

Ingrid Silva é a cara da Carioquice Negra!

Por Victória Costa 

Editora da Organização Carioquice Negra, afro empreendedora no Projeto Turban3gas e Graduanda em Serviço Social na Universidade Estácio de Sá.

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