Humberto Baltar, o professor que busca tornar a língua inglesa acessível a todos

Inglês é ferramenta de transformação

Humberto Baltar é morador da Taquara, na zona oeste do Rio de Janeiro. Filho da rainha Maria Luiza Nicolau, empregada doméstica aposentada, que o criou com muito esforço e sacrifício e de Ernani Baltar, funcionário civil da Marinha, falecido.

É  formado em Letras – Inglês / Literaturas pela UERJ em 2005, cristão, tradutor, intérprete, professor servidor público e afroempreendedor. Acredita que a língua inglesa é uma ferramenta para diminuir a desigualdade de oportunidades, ainda, muito presente no mercado de trabalho.

 

Superação

Segundo o afroempreendedor, supera os desafios através do apoio de sua família, que sempre lutou e almejou as melhores oportunidades para ele. Cursou o Ensino Fundamental e Médio no CAP UERJ, oportunidade proporcionada por sua família e foi matriculado aos 12 anos em um curso de inglês. Sem sombra de dúvidas, tais feitos têm grande importância e impacto na vida de Humberto e ele afirma: “Sem essas duas conquistas, certamente eu não seria quem sou hoje.”

Esta declaração prova a necessidade, extrema, do investimento em educação, tendo em vista, o papel norteador que ela tem na vida de uma pessoa. Uma base de ensino sólida e rica, fomenta cidadãos promissores no futuro. Aqueles que dela não conseguem desfrutar, precisam correr atrás do prejuízo, para equilibrar a balança, para tentar competir em pé de igualdade. Balança esta, que nem sempre equilibra.

 

Juventude negra

“Sem dúvida alguma, o maior desafio da juventude negra é a carência de referências. Referências de amor-próprio, de autovalorização e até mesmo de negros bem sucedidos e saudáveis emocional e mentalmente. Exemplos concretos reforçam a crença de que é possível e nos dão ânimo e coragem para continuar lutando pelos nossos objetivos”, declara o tradutor.

 

Contribuições de Humberto Baltar

 

Como professor do Ensino Público Municipal, Humberto faz valer a Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da cultura e história afro-brasileira na escola. Segundo ele, o fato de haver a necessidade de uma lei para fazer com que tal feito ocorra, em um país como o Brasil, que possui a maior população negra fora do continente africano, denuncia o modo como o racismo estrutural aliena e prejudica a população negra desde a sua inserção no ambiente escolar.

“Além disso, o empoderamento das crianças negras é pauta permanente do meu trabalho. Recentemente, na hora do recreio da escola, uma aluna negra de sete ou oito anos me parou e disse: “Tio, fala que eu sou bonita?” Só quem entende o quão difícil pode ser a vida escolar para crianças negras percebe quanta coisa alarmante existe por trás do pedido da aluna. Como afroempreendedor, proprietário da microempresa Humberto Baltar Consulting, de aulas de inglês presenciais e pela internet, ofereço condições especiais aos demais afroempreendedores e alunos negros, de modo a facilitar o acesso a este idioma que proporciona um enorme diferencial competitivo no mercado de trabalho.” Afirma o professor.

Ele também é professor voluntário no Curso de Conversação da Frente Negra da UERJ, na sala do Coletivo DENEGRIR. Aproveitando o ensejo, dispara:

“Aproveito o espaço para deixar um convite a todos os estudantes negros que desejarem aprimorar suas habilidades no idioma conosco. Somente nesta iniciativa, em 14 anos de carreira e 20 anos estudando inglês, pela primeira vez estive em um curso de conversação com mais de cinco alunos negros na mesma turma.”

 

Empoderamento e representatividade

 

Humberto Baltar tem como referências as suas leituras e pessoas próximas, pessoas de carne e osso, segundo ele. Por terem dificuldades e lutas que ele pôde acompanhar de perto. Portanto, suas referências são seus avós e sua mãe, que mesmo não tendo muitos recursos, construíram suas vidas, deixando um legado, dotado de dignidade, sendo exemplo para que ele soubesse na prática que, racismo, opressão ou ser humano algum poderia parar ou interromper a sua caminhada. A sua avó se formou em enfermagem e criou sete filhos que lutaram pelo seu lugar ao sol e se tornaram o que escolheram ser: enfermeira, cardiologista, cirurgião, etc. Sua mãe, mesmo com baixo nível de escolaridade e as diversas dificuldades que toda empregada doméstica solteira com filho pequeno enfrenta, o proporcionou uma vida digna e o ensinou a se respeitar e não aceitar ser diminuído por ninguém nesse mundo.

Humberto Baltar finaliza dizendo:

“Esqueça tudo o que disseram. Disseram que a universidade é um ambiente hostil que não vai te acolher nem te permitir se formar, que o mercado de trabalho racista não vai te receber e que um relacionamento sadio, recíproco e pleno de amor não é pra você por causa da objetificação do corpo negro. Cancele toda palavra negativa, paralisante e improdutiva que for lançada sobre a sua vida e não permita que nada nem ninguém se ponha entre você e seus sonhos e metas. Tudo o que esperam é te ver desistir e se contentar com o lugar que eles disseram que é pra você, mas o seu lugar é onde você quiser estar. Você pode e vai superar todas as dificuldades que se apresentarem ao longo do caminho. Nunca se esqueça disso.”

Saiba mais:

Humberto Baltar
HB Consulting
Cel: 9955-36127
http://bit.ly/hbaltar

 

Por Amanda Martins

Graduanda em Direito na Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, Pesquisadora em Energia no Núcleo de Pesquisas Brasil-Chile, Editora, membro da Organização Carioquice Negra, escritora, cantora e compositora

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