Diáspora.Black é pioneira na rede de viagens voltada para a comunidade negra

Diaspora.black é uma plataforma  virtual que une ,em rede, viajantes e anfitriões, vinculando-os a serviços e conteúdos relacionados ao turismo em diversas cidades do mundo.

Está em plena operação desde julho, a rede tem mais de 400 usuários ativos, é vigente em mais de dez países e já se planeja para amplificar suas operações. Na última semana, a empresa iniciou parceria para chegar a mais de 30 países, com a intermediação da Câmara de Comércio Brasil – África.

Foi realizado um evento para comemorar a Parceria da Diáspora.Black com a Câmara de Comércio Brasil – África que, ocorreu no Dida Bar e Restaurante, no bairro Tijuca, na cidade maravilhosa.

A celebração reuniu pessoas, empresas, representantes de institutos e organizações e ações sociais  que são engajadas no movimento negro. Entre elas estiveram a Daise Rosas, diretora da Câmara de Comércio Brasil – África, a design Maria Julia Ferreira e o produtor de audiovisual, Robson Maia, ambos da Uhum Design e Eng2, o Júlio de Sá, a Amanda Martins e a Victória Costa, da Organização Carioquice Negra que, enalteceram a noite, bem como também, a Aline Maia e Rita de Cássia, que integram o Projeto Social Meta No Mi Ala, Ruth Pinheiro, da Reafro, a família Ile Omiojuaro , que fez uma homenagem póstuma para a Mãe Beata de Yemonjá, que faleceu recentemente, evidenciando a importância dela para o movimento negro , para o povo do terreiro, para as mulheres negras e para as gerações que virão.

 

Diáspora.Black no mundo

 

A proposta da parceria é abrir espaços em feiras de negócios e investimentos dos países africanos para a startup, com o duplo objetivo de integrar as redes de empresários locais com o serviço e promover, nos países integrantes da Câmara, a oferta de hospedagem compartilhada como possibilidade de potencializar o turismo em países africanos.

“A parceria visa fomentar a vocação do turismo para geração de renda das famílias de países africanos e em todos os territórios onde a Câmara atua. Essa iniciativa será viabilizada pela rede de acomodações em residências de famílias africanas, por meio de cadastro no site”, avalia Carlos Humberto Silva, CEO da Diáspora.Black.

Entre os países que integram a instituição, estão Nigéria, Angola, África do Sul, Moçambique, Tanzânia, Camarões, Egito, Argélia, Marrocos, Benin e muitos outros. Fora da África, a Câmara atua também nos Estados Unidos, Canadá e México, onde ocorrem feiras de negócio e turismo com foco nas oportunidades de expansão.

“Para nós, é uma parceria interessante do ponto de vista de fortalecimento de negócios entre empreendedores afrobrasileiros e africanos, para ativar a economia e o black money nessas conexões”, avalia Deise Rosas, diretora da Câmara no país. “Nossa expectativa é expandir esse diálogo e, com a participação das famílias africanas na rede Diaspora.black,  fomentar a rede de relacionamento interpessoal e intercultural”, completou.

 

Aceleração internacional

 

A startup visa promover trocas simbólicas e a valorização da memória e cultura afrodescendentes , criada no Rio de Janeiro em setembro de 2016.  A partir das hospedagens compartilhada, a Diaspora.Black estrutura o  seu modelo no conceito de impacto social para a comunidade negra internacional, ativando a economia e fortalecendo os vínculos simbólicos de diferentes povos da diáspora africana – seja em Ouidah (Benin), berço da população yorubá, ou em Salvador, onde a tradição moldou parte da cultura local.

O modelo proposto chamou atenção do fundo internacional Yunus Negócios Sociais, que realiza com o Instituto Oi Futuro a primeira aceleração focada em empreendimentos de impacto social no Brasil. Entre mais de 35 projetos pré-selecionados, a Diaspora.Black é uma das cinco integrantes do programa, que envolve consultorias e mentorias especializadas para o desenvolvimento e sustentabilidade das empresas.  O critério de seleção partiu da capacidade de escala e impacto das iniciativas, focadas em tecnologia e solução para cidades.

Criada pelo ganhador do prêmio Nobel da Paz, em 2006, Muhammad Yunus, o fundo Yunus Negócios Sociais é focado em startups que propõem impacto social, com modelo que reinveste todo o capital gerado nas negociações. Muhammad é considerado o primeiro economista a conceituar a importância do microcrédito no combate às desigualdades sociais. Ele é consultor da ONU e fundador do Grameen Bank, que investe mais de US$ 1,5 bilhão por ano em empresas de impacto social.

“A oportunidade de participar dessa parceria permitirá oferecer maior segurança nas operações, com o acompanhamento e consultoria necessários para qualificar a experiência proposta aos usuários”, avalia Carlos Humberto Silva, CEO e fundador da Diaspora.Black. “Os aprendizados também pautarão os próximos passos na expansão dos nossos serviços e da nossa rede, com a meta de chegar a 5 mil usuários até o próximo ano”, completa.

Reescrever a narrativa da diáspora

 

Entre dezembro de 2016 e março deste ano, a Diaspora.Black funcionou em fase Beta.A campanha de financiamento coletivo que permitiu o aprimoramento da interface, dos serviços e da experiência de usuário na rede mobilizou, ao todo, mais de 12 mil pessoas, com demandas de cadastro ainda em validação.

Além de navegar pela rede de anfitriões em 10 países, os usuários encontram serviços e conteúdos relacionados ao turismo e à memória da comunidade negra nas cidades. A proposta é que os próprios usuários, entre viajantes e anfitriões, produzam conteúdos e compartilhem seus relatos de viagens e descobertas na rota da diáspora africana.

O intuito é reconectar as referências e memórias das populações negras, e escrever uma nova narrativa de valorização da diáspora africana ,além da contribuição social e histórica das populações negras em cada cidade.

 

Alternativa ao racismo

 

É uma ação de enfrentamento ao racismo, que restringe a participação de negros nas plataformas convencionais de hospedagem – segundo pesquisa da Universidade de Harvard, são 16% menos chances de serem aceitos ou receberem hóspedes.

No último dia 09 de julho, em Amsterdã, uma turista sul-africana foi empurrada das escadas pelo seu anfitrião que gritava insultos racistas contra a hóspede. Ela foi hospitalizada e o anfitrião está sendo investigado pela polícia. O vídeo das agressões ganhou repercussão internacional nas redes sociais, e reascendeu a memória de experiências vividas pelos próprios fundadores da rede.

 

“São muitas situações. Numa delas, fui comprar frutas para meus hospedes e quando retornei havia um recado na porta dizendo que ‘não era bem o que esperavam’. Eles não esperavam ser recepcionados por um anfitrião negro e isso ficou evidente assim que abri a porta”, relata o empreendedor Carlos Humberto, sobre experiência em 2011.

 

A proposta traz um modelo de negócios inovador para o mercado brasileiro, a partir da segmentação de mercado dentro da economia de experiência. Em primeiro lugar, é a valorização de identidade que pauta a oferta de serviços na plataforma.  Estas premissas, em interface com a chamada economia colaborativa na esfera do turismo, abre uma gama de possibilidades a serem oferecidas ao turismo: mais do que produtos, são sensações, heranças culturais e referências  que constituem maior valor ao consumo.

 

Conheça a plataforma:

www.diaspora.black

Facebook: @diaspora.black

Twitter: @DiasporaBlack

Instagram: @diaspora.black

 

Por Amanda Martins

Graduanda em Direito na Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio,Pesquisadora em Energia no Núcleo de Pesquisas Brasil-Chile, Editora, membro da Organização Carioquice Negra, escritora, cantora e compositora

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