De Anchieta para Dubai e para o mundo… Jovem negra brasileira é comissária de bordo na Emirates

Foto: Via facebook

O nome dela é Daianna Carla!

 

Jovem negra, 23 anos, criada em Anchieta, Zona Norte do Rio de Janeiro, atualmente ,é comissária de bordo e mora em Dubai, pais separados. Sempre foi a única ou uma das poucas negras nos espaços em que habitava.

Sofreu ataques racistas diversas vezes, mas sempre preparada para combater, pois o ensinamento veio de casa, ensinada a ocupar espaços, não se calar e manter a cabeça erguida.

A mãe enfermeira que por toda a vida, sustentou a família. Daianna estudou inglês desde os 7 anos de idade, graças ao esforço e dedicação de sua mãe, e aos 17 anos já falava o inglês fluentemente, então resolveu dar aulas em cursinhos e depois decidiu que deveria ter uma profissão que a possibilitasse exercitar o idioma.

Com esse intuito, ingressou no curso técnico em Turismo, e em uma das saídas técnicas ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, decidiu ser comissária de bordo.

Um tempo depois, matriculou-se no curso de comissária, no qual teve que pedir ao pai para investir, tendo em vista que o mesmo nunca havia se preocupado com a educação da filha, então, na visão dela, esse seria o mínimo que ele poderia fazer, já que sua mãe sempre fez o possível e o impossível para criá-la.

Ela desejava uma empresa que proporcionasse viagens pelo mundo, com o objetivo de expandir seus horizontes e crescer como ser humano e profissionalmente e que pudesse morar no exterior, então, só poderia ser uma empresa estrangeira.

Esta, era uma forma de realizar o tão sonhado intercâmbio, sem que sua mãe se desdobrasse ainda mais. No curso, ela decidiu sua empresa de preferência, a Emirates, mas foi informada que na empresa haviam poucas comissárias negras e que era difícil, mas não se abateu e recebeu incentivo dos seus professores, que afirmaram que era possível. Começou a seguir comissárias negras no Instagram e, nelas viu a representatividade e força que precisava.

Fez o processo seletivo, passou na primeira etapa de primeira e foi progredindo nas demais etapas. Ao final, precisava aguardar no prazo de três semanas, para saber o resultado e nervosa, verificava o e-mail todo dia, nunca havia viajado de avião e nem saído do Brasil. Até que então, recebeu a ligação informando sobre a sua aprovação, ligou para mãe e informou que dali em diante, escreveria a sua história com as próprias mãos. Hoje, ela é inspiração para muitas pessoas e para muitas meninas negras.

Empoderada, é uma palavra que transmite muita força para ela e ela se vê em processo de empoderamento. Reverencia sua mãe e sua avó, mulheres negras, empoderadas, guerreiras, que tem participação total na mulher que ela é hoje.

Ela deixou um recado: “Como mulher negra, brasileira e comissária de bordo, digo, temos que meter a cara no mundo. Estudar, ocupar os espaços e não nos calarmos, agir e trabalhar em silêncio.”

 

Por, Amanda Martins

Graduanda em Direito na Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio,Pesquisadora em Energia no Núcleo de Pesquisas Brasil-Chile,editora, membro da Organização Carioquice Negra,escritora, cantora e compositora.

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