A designer Thayná Claudio evidencia a cultura afro através de sua marca : Zumbi Guarani

Thayná Claudio,  designer, artesã, ativista mulher Preta! Atualmente, reside no bairro da Abolição, Rio de Janeiro. A família é oriunda do interior da cidade maravilhosa, Barra do Piraí.
Ela é de família matriarcal, a sucessão, os segredos e as decisões da família são passadas de mãe para filha e sempre cultuam a ancestralidade, cada um à sua maneira. A família é composta por ela, mais dois irmãos, sua mãe e, sua avó, uma das matriarcas mais velhas. Fora os demais parentes. Ela tem uma família grande.

Trajetória de Thayná Claudio

Ela é formada em Design de Moda, pela faculdade SENAI Cetiqt. Segundo Thayná, graças a sua mãe, que lhe deu a consciência do que é ser negra e talvez por  ser filha de Oya (risos), sempre encarou essas dificuldades de peito aberto, sem abaixar a cabeça e sem achar que era inferior a alguém pelo fato de  ser negra e/ou ser mulher. Mas, isso não quer dizer que ela não sofria. Só nunca demostrou para as pessoas que, aquilo que elas falavam ou faziam, a afetava. Respondia à altura!

Chegava em casa com sangue nos olhos, chorava, mas depois respirava fundo e falava para ela mesma, em voz alta, que não poderia filtrar algo que a fazia tão mal. Mas, a maior superação que teve, foi sem dúvida alguma, a sua monografia de graduação em Moda, “Trajes de noiva – Para mulheres de religiões afrobrasileiras”, mesmo não sendo explicitamente para mulheres negras, foi o jeito que ela conseguiu para levar a sua ancestralidade para dentro de uma faculdade de moda em que o referencial é a cultura européia. Então, ela criou uma estampa e confeccionou um vestido em homenagem a Oxum, aquela foi a sua resignificação da religião e além disso conseguiu mostrar que a nossa cultura não é fantasia de carnaval, nem bagunça e merece respeito.

Thayná e seu legado

“Todos os trabalhos que eu faço, inclusive a minha marca mesmo, eu tento exaltar a nossa ancestralidade, a nossa beleza, mostrar que descendemos de um povo de garra, de luta, que tira água de pedra se for preciso. Tento lembrar de todas as formas que eu posso, que a nossa cultura é maravilhosa demais para deixarmos ela se extinguir. Sobre os meus atuais projetos, um deles é a minha marca de acessórios e roupas, chamada Zumbi-Guarani, que em setembro vamos lançar, depois de tantos obstáculos, erros e acertos. E o outro é um sarau que faço com mais 5 amigas minhas (Priscila Carvalho, Silvana Caulla, Thiarinha Mello, Rosane Euzébio e Zaíra Veiga), que se chama Sarau das Candaces, com esse projeto queremos mostrar que somos um povo talentoso, que escrevemos, cantamos, dançamos, que somos artistas. É uma tentativa de nos acolher e revelar nossos dons. “ Afirma a designer.

Mulheres que inspiram Thayná Claudio

Vestido de noiva em homenagem à orixá Oxum, apresentado na monografia

Thayná  Claudio tem como referência, simbolo de representatividade e empoderamento as mulheres de sua família, além delas, também os Orixás. Pois, segundo a designer, foi através dos itãs que ela aprendeu sobre eles, quando criança, que via o poder que o nosso povo têm. Afirma ter sorte de ter sido criada baseada na nossa ancestralidade, e graças a isso ela sabe de onde vem e pra onde  vai, e que, se não fosse essa representatividade, talvez estivesse perdida por aí, tentando se encaixar e se adaptar em uma cultura que não é dela.

A rainha Thayná Claudio deixa a seguinte mensagem:

“Eu sei que estamos cansados e desesperados por uma solução ou mesmo uma cura para todos os nossos sofrimentos. Sempre estamos a um passo de desistir, e acreditar que é melhor deixar as coisas como estão e que nada vai mudar. Mas, quando você estiver com esses pensamentos, pense o seguinte: tiraram os nossos ancestrais de suas terras, os colocaram em um navio, os fizeram de escravos, adoeceram suas mentes e seus corpos, demonizaram seus Deuses, suas práticas e suas vivências, tentaram nos embranquecer e continuam nos matando, eles fizeram isso tudo pensando que ia ser nosso fim, que entraríamos em “extinção” e mesmo assim somos maioria nesse país e estamos aqui resgatando a nossa real história e essência. E não se esqueçam nunca que lutamos por nós, lutamos por aqueles que vieram antes de nós e lutamos por aqueles que ainda virão. Seguimos com Ori erguido. Motumba axé. “

Por Amanda Martins

Graduanda em Direito na Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, Pesquisadora em Energia no Núcleo de Pesquisas Brasil-Chile, Editora, membro da Organização Carioquice Negra, escritora, cantora e compositora

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